INTRODUÇÃO TEÓRICA ÀS DOENÇAS SOMÁTICAS

Na última década do século XX assistimos ao avanço considerável da biologia celular e molecular, modificando profundamente os conceitos da patologia estrutural e funcional.
A genética médica há muito ultrapassou os fundamentos da herança mendeliana, os quais, praticamente, servem de substrato histórico, introdutório à “ciência dos genes”.
Para a medicina tradicional, ao contrário da medicina complementar, valoriza-se muito a célula – (unidade básica, estrutural e funcional dos seres vivos), os tecidos, os órgãos, os sistemas e o organismo como um todo.
Sendo a célula, fundamental, é justo que cientistas dissequem-na, entendam sua ultra-estrutura, suas organelas, seus sistemas biomoleculares, suas estruturas edificadas no mundo atômico, vibratório, que esperamos, para breve, ser comprovado pelos abnegados cientistas da medicina tradicional.
Pela resenha que fizemos, percebe-se que a patologia, isto é, o estudo estrutural e funcional das doenças, está passando por profundas reestruturações, mudanças tais que fariam Virchow ou Bichat afirmarem ser o mais louco devaneio.
No passado, a patologia atinha-se apenas ao estudo da estrutura, hoje cogita-se da função ou fisiologia.
Futuramente, se perceberá que estrutura e função estão diretamente relacionadas, em profunda conexão com os sentimentos, comportamentos, ações e pensamentos do indivíduo. Que as desarmonias na forma, na fisiologia e mesmo os mecanismos gênicos, são apenas manifestações ou concretizações de desequilíbrio mental (idéias, pensamentos), desestabilização emocional (sentimentos, emoções, paixões) e dos desmandos da própria atitude ou ação do indivíduo em relação a si mesmo ou aos outros.
Por esta tese, fica evidente que a preocupação antes de ser com a célula doente, deve ser com o indivíduo, com sua conduta ética, intelectiva, afetiva, instintiva ou o quanto é egoísta. Sim, o egoísmo, a vaidade e o orgulho, desestruturam até a diferenciação celular (tumor), promovendo doenças várias, sejam somáticas (que afetam tecidos, órgãos e sistemas) ou psíquicas (que afetam o pensar, o julgar, a capacidade cognitiva, etc).
Infelizmente, a medicina tradicional ou convencional vê o indivíduo compartimentalizado, não percebe a íntima relação entre corpo e mente, provocando interferências nos métodos de diagnose e terapêutica.
Não percebem que o indivíduo é muito mais que um corpo de carne e ossos, sendo este apenas a manifestação visível de organismos mais sutis, de energias ainda não detectadas pelos mais sofisticados aparelhos à disposição da propedêutica armada.
Assim como outros médicos espiritualistas que crêem no espírito, na reencarnação, sejam eles hinduístas, jainistas, taoístas, budistas, adeptos dos cultos de nação africanos, adeptos do espiritismo (kardecismo), gnósticos, ou adeptos da umbanda, aceitamos todos os avanços conseguidos, mas necessitamos da convergência entre o que é espírito e o que é matéria. Estes aspectos são interdependentes.
Não pode o espiritualismo afastar-se da ciência, e nem esta última do espiritualismo, do Espírito.
Há também médicos de outros setores filosoficorreligiosos ou mesmo livres pensadores que contestam a separação entre corpo e espírito (mente). Ótimo! Continuamos de acordo, mesmo que não se cogite de reencarnação, mas cogite-se da unidade entre corpo e mente, ou alma, espírito, enfim o nome que venhamos dar à Consciência, que se utiliza de veículos dimensionais para se manifestar, expressar, viver, ser…
Sim, médicos católicos, sufistas, judeus, protestantes, muçulmanos, que mesmo não crendo na reencarnação, crêem no binômio corpo-alma, sendo muitos deles conceituados esculápios tratam seus pacientes como uma unidade biopsicossocial.
Após estas considerações, que podem e devem ser discutidas, queremos enfatizar que a capacidade de ser amável, solícito, honesto e tolerante para com o paciente é dever de todo médico e não apenas dos espiritualistas. Portanto, não necessitamos afirmar que somos espiritualistas, que cremos na interdependência entre corpo e alma ou espírito, mas agirmos na prática, no ato médico, seja no hospital, no ambulatório, em consultório, em qualquer lugar.
O que vimos afirmando não é crença, mas convicção, pois achamo-nos tão cientistas quanto os outros, só que temos a coragem de expor opiniões que não se opõem à medicina que tanto prezamos, mas complementam-na, auxiliam e “curam” de forma mais abrangente nossos doentes, aos quais não nos envergonhamos de afirmar que os queremos bem, desejando a eles felicidades e saúde mental, física e espiritual – saúde biopsicossocial.
Terminando, deixemos as doenças somáticas aos tratadistas da patologia ou mesmo da medicina interna, que tão bem fazem seu trabalho. No próximo texto discorreremos de forma sumarizada o inconsciente, base discursiva da psiquiatria, para depois finalizarmos com a medicina complementar, nos aspectos psicofisiológicos.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh’ogun “O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

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