POR QUE TENHO MEDO OU VERGONHA DE IR A UM TERREIRO DE UMBANDA?

Esta é uma colocação que nós, umbandistas, ouvimos quase que diariamente, mas este medo é muito mais um receio do desconhecido que propriamente medo.

A grande maioria de nós, ocidentais, fomos criados em um ambiente Católico Apostólico Romano, ou protestante, acostumados a ideias como céu, inferno, bem e mal, sendo comum esta dualidade de um deus bom, e outro que encarna o mal absoluto, onde este deus pai, bom, só é encontrado em um único lugar, seja agora em ambiente Católico ou Evangélico, onde cada denominação se diz a única capaz de oferecer “salvação”, bastando para isso seguir seus dogmas, manter em dia as obrigações financeiras com este deus, e obedecer o que o sacerdote pregar. Esta feita a salvação, independente de suas práticas na vida cotidiana.
Se não bastasse tudo isso, ainda somamos a problemática do dito “ensino religioso” nas escolas, que poderíamos mudar para catecismo católico, onde crianças que estão ainda formando suas opiniões sobre os mais diversos assuntos, inclusive sua crença religiosa, são bombardeados com ensinos que sabemos, não são nem um pouco laicos.
Após estas breves explicações, muito mais para ilustrar o que queremos demonstrar, seguimos colocando que a Umbanda tem uma outra maneira de entender o criador, denominado por nós de Olorum ou Zambi, não representado por imagem ou fetiche de espécie alguma.
Na Umbanda, entendemos que não basta aceitar e praticar a religião em sua ritualística apenas, já que na Umbanda não temos dízimos compulsórios, nem temos alguma forma de comprar “salvação”. Começando pela dita “salvação”. Usamos a colocação de Divaldo Franco para a explicação de como entendemos a salvação, ou como o umbandista se salva:

É a do encontro dele com a própria consciência. Por isso que Allan Kardec escreveu: “Fora da caridade não há salvação”. Ele não se refere aqui à salvação do Espírito no mundo espiritual. Por consequência, sim. É como dizer: ou um indivíduo procede bem ou não tem salvação para ele. Não tem alternativa. Então Allan Kardec propõe a educação dos hábitos, a educação dos costumes, o conhecimento, a ação do bem. E está exarado no 6o capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo uma proposta especifica que nós generalizaríamos. Ao invés de “espíritas amai-vos e instrui-vos”, nós proporíamos: criaturas amai-vos e instrui-vos, porque enquanto o amor não tem instrução, não tem conhecimento, vira paixão e quando a instrução não tem o amor, vira perversidade. Nesta união, as duas asas do sentimento e do conhecimento dão a sabedoria. Então, é natural que neste momento, a nossa visão salvacionista não seja salvífica. O reino dos céus é a construção da autoconsciência em que Deus está presente, e quando ocorre a morte, o individuo está muito bem, porque ele já se encontra preparado pelas alegrias que recebeu pelo caminho e então, espiritualmente, também está salvo.

 A Umbanda acredita que ninguém conta com privilégios do criador, nem por ser umbandista, nem católico, espírita, evangélico ou qualquer outra religião. Todos nós somos iguais perante o criador e temos todos as mesmas qualidades perante ele, independente de credo, raça, cor, posição social ou qualquer outra forma de distinção. O fato de cumprir a ritualística religiosa da Umbanda, visa sim proporcionar melhora na nossa qualidade de vida, mas de nenhuma forma, proporcionar algum tipo de privilégio frente a Deus.
Segundo nossa visão, o bem que proporcionarmos aqui na terra será nosso advogado após nosso desencarne, dando então nosso destino no mundo espiritual.
Também não acreditamos que Deus tenha criado alguma criatura que seja a personificação do mal, e seja desde já condenado a viver eternamente nas trevas, nem que alguma pessoa por pior que seja, não tenha uma oportunidade de se regenerar, seja nesta vida, ou em outra, pois acreditamos na reencarnação.
O intercâmbio com os espíritos na Umbanda, tem a finalidade de instrução nossa, em aprender com aqueles espíritos mais elevados, e também nos beneficiar com as práticas mágicas desenvolvidas pelos espíritos que baixam na Umbanda, que desmancham magias negativas, afastam vibrações nefastas que causam doenças, desânimos e malefícios os mais variados.
Não realizamos sacrifícios de animais, nem rituais de invocação de “demônios”, segundo os que nos atacam, nem realizamos pactos de qualquer natureza. Não adoramos imagens, nem pedras, ou qualquer fetiche. Eles estão presentes em nossos altares apenas como adornos, ou pontos de referência condensadores de energias benéficas. Utilizamos velas, oferendas de frutos, flores e grãos, que em sua grande maioria, são revertidos na alimentação de todos.
Enfim, caros irmãos e irmãs, só indo mesmo até uma casa umbandista para atestar que Umbanda é uma religião à serviço do bem, que se preocupa com o ser humano, valorizando a vida, em todas as suas manifestações e cumprindo um papel social de auxílio aos necessitados, de acordo com as possibilidades de cada instituição, ou terreiro.
Um fraternal saravá.

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