Os Guias da Umbanda ajudam em nossa vida cotidiana?

Estava eu ouvindo o que uma entidade incorporada falava ao seu consulente, não que seja ético isso, mas estava fazendo papel de cambono, e , por este motivo, preservo nomes, mas o que realmente aqui interessa é o conteúdo da conversa.

A consulente se queixava a um preto-velho, que sua casa havia sido arrombada. Argumentava que era uma fiel da Umbanda, e cobrava onde estava a proteção dos guias de Umbanda, que não haviam evitado o sinistro em seu lar.
A entidade na calma que é peculiar a todos pretos velhos, ouvindo com atenção as queixas do filho de fé, ao termino da fala da consulente, apenas respondeu:
-Fia, nós cuida do espírito, da matéria cuidam sunceis!
A consulente, um pouco contrariada, apenas saúda a entidade incorporada no médium e da as costas.
Para nós, Umbandistas já de alguma data, e que em certo tempo, cometemos os mesmos erros, o acontecido narrado acima corta como uma faca em nossos corações. O fato de ser Umbandista, ou de qualquer outra religião, não nos isenta de qualquer tribulação, ou nos dá privilégios de qualquer natureza. O papel da Umbanda, ou de qualquer religião é fazer seu papel de religião, que não é restrito apenas ao religare, ou religar-se a Deus, pois sabemos que existem sistemas religiosos que nem falam em Deus, ao exemplo do budismo e do jainismo, que são religiões praticamente ateístas.
Religião, e mais especificamente a Umbanda, creio que se enquadre na definição do Mestre e Místico Hindu Vivekananda:
“A religião não consiste em doutrinas e dogmas. Ela não é o que você lê nem os dogmas que você acredita serem importantes, mas o que você percebe… A finalidade de todas as religiões é a percepção de Deus na alma. Essa é a única religião universal.”
Mas será que os Guias e Orixás não ajudam nos nossos problemas do dia a dia? Como exemplo cito   Allan Kardec, que inquiriu ao seu guia se não o auxiliava na vida material. Contestou-lhe o iluminado que, não ajudá-lo, seria não amá-lo, acrescentando que o fazia sem que ele o percebesse, para não lhe tirar o merecimento da vitória na luta contra a adversidade.
Os guias de Umbanda, mesmo que não confessem, estão sempre nos socorrendo em nossas horas de amargura, mas não podem interferir no nosso livre arbítrio de nossas decisões, nem fazer aquilo que cabe a nós mesmos.
Cuidar para que a porta da casa esteja bem trancada quando saímos, é papel que cabe a nós, não ao Guia que nos acompanha.

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