CARTA MAGNA DE UMBANDA – Documento oficial para a religião de Umbanda.

Documento oficial para a religião de Umbanda.

Irmãos religiosos de Umbanda. Há alguns anos estamos chamando os irmãos para um momento histórico e único em nosso meio. Entendemos que a religião de Umbanda possui uma riqueza ímpar demonstrada em sua diversidade litúrgica. Porém o chamamento não é para deliberarmos sobre a liturgia das casas existentes e sim criarmos uma identidade religiosa que definirá o que somos, respeitando assim os vários tipos de trabalhos existentes. O pensamento é sempre no coletivo e não apenas em um grupo fechado, fazendo toda a diferença neste projeto.
Os temas hoje organizados em formato de documento é a indicação que não se trata de um apanhado de idéias, e sim, de uma maneira séria de defendermos nossos conceitos.
O intuito de criar o documento esta baseado na legitimação e informação em nível organizacional para entendimento social, religioso, fortalecendo a todos os umbandistas, estabelecendo uma linguagem interpretativa para a sociedade em geral.
O documento intitulado de Carta Magna de Umbanda serve como base orientadora para respostas aos estudiosos de teologia, sociologia,filosofia e aos seguidores da religião.É importante frisar que fica disponível a consultas para debates inter-religiosos onde outros segmentos poderão entender melhor o que somos,os nossos propósitos e como respondemos assuntos de interesse espiritual e social.
O respeito maior deste trabalho está em chamar os irmãos para deliberar sobre a construção deste trabalho ,que é de benefício de todos, diferente de outras correntes de pensamento que atentaram contra a liberdade de expressão perdendo oportunidade de criarmos unidade.
Não posso deixar de citar que a versão realizada em novembro de 2015 por algumas federações não é sequer reflexo do documento oficial aqui disposto, condeno veementemente qualquer tentativa de monopólio em nosso meio e sempre pediremos respeito as opiniões expressadas nos fóruns já realizados e os que por ventura virão.
Este projeto esta em pauta desde 2012, com deliberações por todo território nacional contanto ainda com  encontro internacional realizado em Portugal na cidade de Leiria com participação de lideres da Europa. Respeitando a diversidade existente em nosso meio, foi determinado que este documento não poderá ser fixo, é necessário que esteja aberto para que sempre possa ser melhorado de preferencialmente a cada 2 anos,ficando  acertado que todos os temas que foram amplamente discutidos devem ser respeitados na sua íntegra, sendo criado grupos para as avaliações caso haja alguma alteração.
Mas uma vez chamo a atenção para o pensamento religioso, virtuoso que levará este projeto para as esferas necessárias para finalmente termos uma ferramenta de defesa contra o preconceito. Uma religião que preza a igualdade, respeitando a Declaração Universal dos Direitos Humanos através da Carta da ONU- Organização das Nações Unidas, deve ter este documento máximo dignificando seus milhares de seguidores e deixando o legado para a posteridade.
Ortiz Belo de Souza – idealizador da Carta Magna de Umbanda que foi  inspirado por caboclo das Sete Encruzilhadas para este trabalho. 

  

CARTA MAGNA DE UMBANDA 

 
PREÂMBULO
Considerando que, a religião de Umbanda é legitimamente brasileira e foi instituída pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, através da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, em 15 de Novembro de 1908, em Neves/Niterói, no Brasil, anunciando pela primeira vez o termo “Umbanda”, como designativo de religião.
A Umbanda reconhece as derivações oriundas de seu cruzamento com outras religiões, ocasionadas pela diversidade religiosa no Brasil. Agregando e adaptando práticas das mesmas,se posicionando totalmente contra qualquer forma de intolerância e discriminação religiosa.
A Religião de Umbanda respeita todas as religiões e busca o Estado Laico, não discriminando nenhum tipo de manifestação religiosa que vise o respeito e a evolução do ser humano. Assegurando que, tem de existir um posicionamento único em relação à própria religião e suas perceções sobre as diversas questões sociais, jurídicas, culturais,filosóficas e humanas. Considerando que, alguns que não comungam desta fé acabam por interpretá-la de maneira errônea, dando conotações equivocadas que influenciam a opinião pública e a mídia.
Tem-se como assente que, o presente documento visa proteger os conceitos básicos desta religião, dando força a todas as casas que professam a fé religiosa de Umbanda.  A partir deste instrumento, poder-se-á reivindicar com mais identidade, que respeitem os direitos  religiosos e de liberdade de culto elencados na Declaração Universal dos Direitos do Homem (DUDH), nomeadamente, nos seus artigos 2º e 18º, na Declaração sobre a eliminação de todas as formas de intolerância e discriminação baseadas na religião ou convicção, bem como, noutros marcos legais, de natureza internacional, supranacional e nacional.

Salientando que, a Umbanda é um conjunto de leis que regem a vida e a harmonia do Universo. Como religião ou como ciência, na Umbanda, tanto na prática ritualística material, como na esfera espiritual das comunidades umbandistas, só se conhece uma hierarquia espiritual: a da evolução de cada Espírito nos diversos planos da Criação e a vibratória estabelecida pelo mérito de cada um. A par do conhecimento perfeito da vida, a Umbanda aproveita o ambiente material fornecido pela vibração humana para abrir o verdadeiro caminho da sabedoria onde se aprende que a verdade, ou a realidade final do Universo é imutável. Dentro da concepção de que o aproveitamento material fornecido pelo homem é força ativa indispensável à realização da Umbanda, é sobre o médium que repousa integral responsabilidade, somente excedida pela sua própria compreensão quanto à missão que lhe é, por escolha, concedida.
Reconhecendo que, a Umbanda é uma síntese expressiva de Amor, Sabedoria, Respeito, Tolerância e Renúncia, como nos ensina Jesus e nos apresentam outros tantos Mestres Críticos em vários momentos da História e em culturas tão diversas. O umbandista utiliza-se da religião como meio de progresso,amparo e defesa, mas nunca como instrumento de ataque.
Realçando que, a Umbanda está em vários países, levando a paz e a elevação de uma religião que defende os direitos pela igualdade, respeitando a pluralidade de cada nação. As bases da Carta Magna de Umbanda são o registro dos princípios seguidos por religiosos de Umbanda pelo mundo.
Explicando que, a Umbanda, como religião cristã, natural e ecológica, tem em seus seguidores os defensores da Natureza. Entendemos que os Sagrados Orixás se manifestam magneticamente com mais intensidade nos sítios vibratórios da Natureza, aonde os religiosos de umbanda vão constantemente, promovendo concentrações para refazimento energético, harmonizações e captação de energias sublimes, reequilibrando-os com as forças da Mãe Natureza.
Claramente que, as oferendas realizadas pelos umbandistas no seio da Natureza, além de simples, são todas efetuadas com materiais biodegradáveis, que rapidamente se incorporarão ao meio ambiente. A religião de Umbanda defende a natureza, preza pelas matas, mares, rios, cachoeiras e nascentes. Preza pela fauna e flora, contribuindo, assim, com os tratados internacionais de preservação da natureza indicando a necessidade de meios de desenvolvimento que não a agridem.

Observando que, a Carta Magna de Umbanda sugere e defende a necessidade de organização jurídica e
administrativa no que diz respeito à organização dos Templos e Federações.  Entendendo que é fundamental órgãos que representem os interesses do coletivo baseando-se no referido documento.
É de suma importância informar que a Umbanda indica a inclusão nas matérias de filosofia, história, sociologia, antropologia e outras; o estudo da Carta Magna de Umbanda como fonte didática e como ponto de partida para o diálogo inter-religioso. A Umbanda crê na afirmação de que as religiões constituem os diversos caminhos de evolução espiritual que conduzem a Deus. Assim como as demais religiões, a Umbanda passa a ter um documento que esclarece de forma objetiva, seus postulados, dando à Umbanda uma referência única. Tendo por objetivo final ser um documento nacional e internacional da religião, por meio do qual se poderá diferenciar de trabalhos que não condizem com a essência da Umbanda.
Admitindo que, o trabalho inicial do presente documento foi iniciado em 2012 e apresentado em reunião dia 14 de abril de 2013, na rua Brigadeiro Jordão, 297, Ipiranga, São Paulo – SP, com participação de várias lideranças. Cada órgão federativo, representado pelos seus diretores, sacerdotes e lideranças se empenharam ajudando a trazer propostas para o Congresso Nacional de Umbanda. A direção dos trabalhos foi do MPU (Movimento político Umbandista), com todos os presentes unidos com responsabilidade pela Umbanda.
Posteriormente, houve necessidade de apresentação do documento em vários estados do Brasil, onde agiram como fonte de idéias e agentes reguladores da Carta Magna de Umbanda, lideranças, templos e federações que coadunam com a necessidade do documento como organizador das práticas e postulados básicos.
Assumindo que, o Congresso tem por finalidade agregar todas as vertentes, escolas, federações, templos, escritores, pensadores, imprensa, filósofos e outros que estão inseridos na religião de Umbanda com a finalidade de atingir a opinião pública sobre o que é Umbanda, sua cultura social, política e religiosa. Tendo a responsabilidade de fundamentar um pensamento único em relação a vários pontos específicos.  Esses pontos são aspectos claros existentes em qualquer vertente da Religião de Umbanda e passam a ser uma forma de normatizar a base da religião.
Considerando que, a normatização nada mais é do que uma forma de trazer a unidade, coerente e inteligente, para a difusão da religião de Umbanda, respeitando a liturgia e os estudos aplicados em cada vertente. Afinal, a Carta Magna de Umbanda propõe a união, não a unificação.

 Aponta-se que, após a sua aprovação e instituição como documento referencial para a religião, a cada dois anos será convocado novo Congresso Nacional e Internacional de Umbanda para reavaliação e aperfeiçoamento da Carta Magna de Umbanda, estando previsto o próximo, para o ano de 2018, preferencialmente no mês de novembro.

Desta forma, fica acordado o seguinte:

Denominamos o documento como: Carta Magna de Umbanda

1. A religião de Umbanda é genuinamente brasileira, com as seguintes características em sua origem:       
É milenar, porque seus fundamentos são os mesmos que presidiam o reencontro com Deus, desde o início da raça humana no nosso planeta.
Cósmica, porque seus fundamentos culminaram com a união preconizada pelo Movimento Umbandista dos quatro pilares do conhecimento humano, que são: a Filosofia, a Ciência, a Religião e a Arte.
Evolutiva em suas manifestações, porque a Umbanda se manifesta em seu dia a dia, utilizando todos os recursos positivos existentes no ontem, no hoje e, com certeza, se valerá dos que vierem no amanhã. Crística, porque os seus aspetos, princípios, postulados e finalidades estão decalcados nos ensinamentos dos Mestres da Luz, principalmente no Mestre Jesus, sendo a manifestação e a vivência do Evangelho Redentor.
Aceitando tudo o que é bom, rejeitando tudo o que não eleva e encaminha ao crescimento e desenvolvimento do ser humano.
Brasileira em suas origens, como prática religiosa, surgiu e desenvolveu-se no Brasil, instituída pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, através da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, em 15 de Novembro de 1908 e, hoje, também em todo o mundo.

 2. A Umbanda teve na sua origem contribuições positivas das religiões e/ou filosofias Espirita, a Natural Indígena, a Africana, sobretudo a da cultura Banta e Sudanesa, assim como, do Catolicismo popular, entre outras. Contudo, a Umbanda é isenta de interferências de todas elas, não se submetendo a nenhum dogma relacionado com as religiões ou filosofias citadas.
3. A Umbanda integrou, reinterpretou e adaptou as visões religiosas e filosóficas aludidas, de acordo com sua própria percepção, dando origem a uma religião de base sincrética e universalista.
4. A Umbanda é: Doação,  caridade, compromisso, prosperidade e humildade.

a) Doação
 A Umbanda tem no voluntariado, no serviço mediúnico a forma de crescimento natural da religião, onde a participação é fundamental. É por meio da doação que o medianeiro aprende a valorizar o seu templo e a socializar com os seus irmãos. 
b) Caridade
 A ação caritativa é uma das formas de elevação do espírito. Fora da caridade não existe a compreensão da missão evolutiva do religioso de Umbanda. A caridade é a expressão máxima do aprendizado religioso em sua plenitude pelo médium de Umbanda. 
c) Compromisso
 A Umbanda tem no compromisso do médium com o bem, com a verdade, com a lealdade, com a caridade, com a entrega pessoal e com o respeito, a essência do verdadeiro religioso como forma de evolução. 
d) Prosperidade
 A prosperidade se dá a todos os níveis pelo esforço de crescimento e desenvolvimento diário em todos os sentidos. A prosperidade não se ganha, se conquista através da prática da honestidade, do esforço, do conhecimento e pelo trabalho individual, onde, amparado por sua fé e merecimento, o indivíduo conquistará seus objetivos. 
e) Humildade
 O religioso de Umbanda tem como base espiritual a sua humildade, entendendo que ele, médium, não é melhor que ninguém, mas sim, tem uma responsabilidade maior e um compromisso como instrumento da Espiritualidade em transmitir as mensagens de Luz passadas pelos planos elevados. Na Umbanda existe uma hierarquia espiritual que orienta os trabalhos, com Dirigentes Espirituais, Médiuns e Auxiliares; porém, todos sabemos que no plano material somos em todos os momentos aprendizes e professores e todos nós estamos em constante aprendizado, não sendo ninguém melhor do que o outro, apenas com funções e responsabilidades diferentes. Entendemos que quem deve ser glorificado é Deus e a Espiritualidade, nunca o medianeiro! 
5. O religioso de Umbanda segue o que foi anunciado pelo seu fundador, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, bem como, os ensinamentos dos inúmeros Espíritos Crísticos e os Mestres do Amor, como via evolutiva para se chegar a uma espiritualidade superior. 
6. A Umbanda traz em si a base religiosa que deve ser respeitada: amar, respeitar, não julgar, não caluniar, atuar sempre com verdade, na base do bem, da educação e da elevação. O posicionamento ético em qualquer religião deve se basear em tais predicados, manifestados pelos verdadeiros religiosos da Umbanda. 7. Os médiuns e assistidos em geral são vistos como religiosos e devem agir como tal, com fé em Deus, nos Orixás e Guias Espirituais, possuir os atributos da Fé, amar seu semelhante, não julgar, não caluniar, ser pacificadores, estar ao serviço do bem e jamais utilizar o seu conhecimento de forma torpe. 
8. Esses atributos são posicionamentos éticos para todos os que comungam da fé umbandista. 
9. A Umbanda atua na elevação, na educação religiosa e na evolução dos espíritos, praticando trabalhos que visam o progresso do ser humano, direcionando a reforma íntima por meio dos postulados de Jesus, da vibração dos Orixás e dos ensinamentos dos Mestres Iluminados de todos os tempos, que são transmitidos pelos Guias Espirituais que se manifestam nos templos de Umbanda. 
10. A Umbanda é uma religião que crê na existência de um Deus único, inteligência suprema, causa
primária de todas as coisas, eterno, imutável, imaterial, onipotente, onipresente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições. 
11. A Umbanda crê no Mestre Jesus, sincretizado com Oxalá, pautando o aspeto doutrinário, baseado nos seus ensinamentos de amor universal. 
12. A Umbanda crê na existência de um panteão divino, onde existem divindades, denominadas por nós de Orixás, responsáveis diretos por toda a criação do universo e sustento do planeta Terra. Não são deuses, mas sim denominações humanas para uma classe de Poderes Reinantes do Divino Criador. 
13. A Umbanda reverencia a Mãe Natureza, por ser nela que se encontra a mais pura manifestação divina, por onde os Sagrados Orixás se manifestam energeticamente com mais intensidade e, também, porque vamos buscar e nos harmonizar com as forças ali reinantes, sustentadoras de toda a forma de vida planetária; atraindo ainda forças do universo para complementar tais vibrações já existentes em nosso planeta, unindo assim, poderosas forças divinizadas existentes nos planos espirituais. 
14. A Umbanda crê na existência da comunicação mediúnica, por meio de medianeiros preparados para tal tarefa, em trabalhos caritativos e em atendimentos fraternos dos Guias Espirituais. 
15. A Umbanda prima pela simplicidade de seus rituais, o que permite a dedicação integral do tempo das sessões ao atendimento fraterno dos que a ela recorrem.  
16. Nos atendimentos fraternos está o cerne do assistencialismo da Umbanda, sempre de forma caritativa. 17. Umbanda é sinônimo de prática religiosa e caritativa, não se coadunando com cobranças abusivas. Não faz parte de seus fundamentos a retribuição financeira pelos atendimentos fraternos ou pelos passes realizados. Contudo, é lícito quando necessário para a sustentação, manutenção e desenvolvimento dos templos, assim como, para proporcionar conforto e bem-estar aos seus frequentadores, o chamamento dos médiuns e das pessoas que frequentam o templo para contribuírem para esses fins. Todavia, a contribuição far-se-á conforme o critério de cada templo, mas de uma forma moderada e ajustada às necessidades, sem que haja discriminação ou preconceito para com aqueles que não possam retribuir. 
18. No caso especifico de Sacerdotes/sacerdotisas umbandistas que passaram a dedicar-se integralmente ao culto, em determinadas situações e regiões, cobrando nomeadamente por suas consultas, as sessões (giras) devem continuar publicas e abertas onde é facultada a solicitação de contribuições voluntárias aos membros e assistidos. 
19. A Umbanda possui sacramentos e ritos próprios, tais como: o batismo, o casamento e o fúnebre. 
20. Os principais ritos da Umbanda são realizados por meio de orações, pontos cantados, que podem ser ritmados através de instrumentos musicais. 
21. A Umbanda realiza sessões e trabalhos de limpeza espiritual e energética denominados de descarregos, assim como o de aconselhamento e tratamentos espirituais, que visam o bem-estar e o desenvolvimento espiritual, consciencial, emocional e moral do individuo. Nesses trabalhos são utilizados o passe energético, o uso ritualístico do tabaco e dos elementos vegetais, designadamente, em defumações, em banhos e/ou, em amacis. A Umbanda ainda se utiliza de componentes minerais, tais como: pedras, cristais, metais e a pemba, que são elementos condensadores de energias, como também, da energia essencial dos quatro elementos básicos da natureza. 
22. A Umbanda recorre às orações, descarregos, desobsessões, ou, se preciso for, às oferendas de flores, bebidas, frutos, sucos, chás, alimentos, incensos e velas. A oferenda, além de operação espiritual/vibracional, é também uma reverência espontânea aos Sagrados Orixás e é recomendada a sua prática aos seus fiéis. Visto que entendemos que esses elementos possuem elevadas vibração energéticas e podem ser manipuladas espiritualmente em benefício de algo ou alguém. Entendemos também que um dos objetivos da Umbanda é o de elevar e sublimar o espírito de seus iniciados e assistidos pela ética de Cristo.
 PRINCÍPIO DE IGUALDADE
 23.A Umbanda defende que ninguém pode ser privilegiado, favorecido, prejudicado, privado de qualquer direito ou dispensado de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, religião, instrução, situação económica, território de origem, convicções políticas ou ideológicas, condição social
ou orientação sexual.
DIREITO À VIDA
24. A religião de Umbanda defende que a vida humana é inviolável. 
25. Não é admissível para a Umbanda a pena de morte.
SUICÍDIO/EUTANÁSIA / DISTANÁSIA / /HOMICÍDIO  
26. A Umbanda, por valorizar a vida, nos aspectos terreno e espiritual, entende que a passagem deve ser natural, respeitando a Lei do carma e aprendizados importantes ao Espírito. 
27. A Umbanda defende que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a sua vida. 
28. Só o Criador, através de Sua Onisciência, Onipresença e Onipotência, sabe o momento do desenlace carnal de qualquer indivíduo. 
29. Assim, mesmo no caso em que a morte é inevitável e em que a vida não é abreviada senão por alguns instantes, a Eutanásia é sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Divino Criador. 
30. A distanásia, do ponto de vista clínico e espiritual, não fere o conceito religioso de Umbanda pelo fato de tentar prolongar a vida do ser. 
31. Práticas que atentam contra a vida, humana ou animal, não são aceites pela Umbanda. 
32. Porém, o homicídio cometido em legítima defesa ou por erro não censurável, não acarreta ônus espirituais sob tais fatos. 
ABORTO 
33. A Umbanda é contra a prática do aborto. 
35. Na Umbanda entende-se que a partir da concepção já existe vida, um Espírito que anseia por sua evolução. 
37. Os progenitores, ou quem quer que seja que provoque o aborto, em qualquer período da gestação, cometerá uma transgressão à Lei de Deus, porque isso impede o espírito de passar pelas provas necessárias à sua evolução, necessitando do corpo em formação como seu instrumento. 
38. Quando o nascimento da criança coloque em perigo a vida da mãe, é preferível, por bom senso, manter a vida da progenitora. 
39. O aconselhamento direto com os Guias Espirituais é fundamental para que as ações se baseiem sempre na Espiritualidade e na particularidade de cada situação. 
40. No caso de ocorrer ou ter ocorrido o aborto por decisão de qualquer natureza, a Umbanda jamais condenará os envolvidos, ocupando-se, antes, em acolhê-los e prestar-lhes conforto espiritual.
DIREITO À INTEGRIDADE PESSOAL 
41. A religião de Umbanda defende que a integridade moral e física das pessoas é inviolável. 
42. Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a maus tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos. 
PEDOFILIA / MAUS TRATOS 
43. A Umbanda não aceita qualquer forma ou ato que atente contra a criança e o adolescente, em especial os casos de pedofilia e maus tratos, defendendo que as leis já estabelecidas devam ser aplicadas, nomeadamente, a Convenção dos Direitos da Criança. 
44. Pessoas que possuem desvio de conduta em relação a crianças e adolescentes podem estar obsediadas e necessitam de orientação espiritual e acompanhamento psicológico, além de se submeterem à aplicação das leis civis.

 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 

45. A Umbanda não aceita qualquer forma de violência doméstica, atendendo aos parâmetros da legislação vigente com destaque para os Princípios da Nações Unidas para as Pessoas Idosas, Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Carta das Nações Unidas (ONU), segundo os quais os direitos da pessoa humana devem ser preservados.

PRECONCEITO ÉTNICO

46. A Umbanda não aceita o preconceito étnico. O preconceito racial é, antes de tudo, uma demonstração de atraso espiritual e desconhecimento das leis divinas. Aquele que diminui ou persegue o irmão pela cor da pele ou por qualquer outra característica étnica, viola a regra de ouro presente nas mais diversas tradições espirituais e religiosas: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.  

ORIENTAÇÃO SEXUAL E IDENTIDADE DE GÊNERO 

47. Na Umbanda todo ser humano é visto como irmão (ã) espiritual, sendo aceite qualquer orientação sexual e identidade de gênero. Assim a religião entende e acolhe espíritos, e não o gênero ou a sexualidade. Discriminação e preconceito não são ensinados pelos nossos Guias, entendendo que a Umbanda acolhe a todos. Desta forma, é fundamental respeitarmos a condição de cada indivíduo, Heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade e transexualidade são questões de foro pessoal. 

O PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE E NA UMBANDA 

48. A Umbanda defende o direito de igualdade, sendo que a mulher deve ocupar qualquer posição na sociedade, com o mesmo tratamento, conforme o vertido na Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres.
49. As mulheres na Umbanda estão em todos os níveis hierárquicos da religião, inclusive na curimba, não apenas no canto, mas também no toque.  

CRIANÇAS NA UMBANDA 

50.  Na Umbanda todas as decisões que digam respeito às crianças devem ter em conta o seu interesse superior, em harmonia com o estipulado na Convenção dos Direitos da Criança. 
51. A Umbanda reconhece que a presença das crianças nas sessões é um processo importante na sua própria formação espiritual.
52. A Umbanda garante às crianças, o direito ao conhecimento dentro da religião da mensagem universal de Jesus, sincretizado com Oxalá, com sua magnitude em Deus e nos Orixás, através do atendimento mediúnico, do batizado, passes e desenvolvimento. Promovendo o respaldo moral, físico e espiritual contra todas as formas de violência.
53. A Umbanda incentiva a criança para que ela reconheça desde cedo sua importância, seu valor e seu caráter, concedendo-lhe o direito de livre escolha pela sua pureza, trabalhando dentro das nossas crenças, para que tenha sempre amparo.

IDOSOS NA UMBANDA 

54. A umbanda defende que os idosos devem ter acesso aos recursos educativos, culturais, recreativos e espirituais da sociedade.
55. Os idosos devem ser tratados de forma justa, independentemente da sua idade, não podendo ser privados do acolhimento dentro da religião e do desenvolvimento mediúnico.
56. A Umbanda preconiza o respeito, o amparo e a assistência aos idosos, no âmbito familiar e social, com base no amor, na caridade, no reconhecimento e na legislação em vigor, em especial nos Principios da Nações Unidas para as Pessoas Idosas.

PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS

 57. Na Umbanda, nenhuma pessoa portadora de necessidades especiais (congénita ou adquirida) é privada de acolhimento ou desenvolvimento mediúnico.
58. A umbanda compreende que as deficiências se restringem à carne e não ao espírito, portanto as
limitações do corpo material se tornam nulas, mediante a nossa fé e o Plano Espiritual. Porquanto, como disseminadores de amor ao próximo, não nos cabe desmerecer ou restringir quaisquer que sejam as condições físicas, mentais ou psicológicas de um irmão, pois somos livres de julgamentos e permitimos que todos aqueles que buscam a doutrina umbandista sejam tratados com igualdade e respeito.
59. Aos dirigentes de Templos e Federações pede-se privilegiar a acessibilidade, conforme a caridade, o bom senso e as leis vigentes, designadamente, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

ALCOÓLATRAS E TOXICÔMANOS 

60. Todos que recorrem aos terreiros de Umbanda encontrarão o lado assistencialista. O dependente químico deve ser tratado sem aspetos preconceituosos, tendo total assistência por parte da religião de Umbanda.
61. A Umbanda respeita a vontade do indivíduo em buscar e aceitar o tratamento espiritual. Nos tratamentos devem ser observados e respeitados, o lado psicológico, a dependência química e a atenção espiritual para o dependente e sua família.

 CASAMENTO 

62. A Umbanda defende que o casamento deve dar-se por amor e livre arbítrio, onde o casal é orientado e acolhido também espiritualmente. Independentemente, da orientação sexual, etnia, instrução, condição social e religião. 
63. Na visão umbandista é irrelevante a heterossexualidade, a homossexualidade, bissexualidade, a transexualidade ou se um dos consortes não professar a religião umbandista. Reservamos a todos direitos iguais de matrimônio, respeitando a orientação sexual de cada um.
64. A Umbanda compreende que o casamento religioso funciona como base espiritual para uma família e tanto o corpo mediúnico quanto a assistência, têm o direito a este sacramento.
65. Na Umbanda, o matrimônio também é assegurado como direito àqueles que já se divorciaram.

DIVÓRCIO

 66. Os Conselheiros espirituais umbandistas não incentivam o divórcio. Porém, não compactuam com o relacionamento aparentemente feliz, mas com o espírito abalado pelo ódio, pelo sofrimento, pela falta de amor que, por muitas vezes, pode causar riscos à integridade física, moral e espiritual a um dos cônjuges ou ao casal, e, por conseqüência, traumatizar familiares, filhos e amigos. 
67. O casamento indissolúvel é criação humana, por dogmas religiosos e/ou de ordem social e económica. Na Umbanda, acredita-se que o carma do casal pode ser breve ou durar uma vida inteira, de acordo com o que sua própria missão espiritual determina, e não se impõe uma convivência de infelicidade ou violência. 

ADOÇÃO

68. O posicionamento da Umbanda não é apenas favorável, mas também incentivador à adoção.
69. O acolhimento físico, moral e espiritual daquele a ser adotado, sempre levando em consideração as condições dos pais, é o de respeito, carinho, amor e proteção, para o resgate da criança/do adolescente e sua inserção nos princípios de cidadania, favorecendo-o a ser consciente de suas responsabilidades e voltado para a prática do bem. Esse ser humano, bem como, aqueles que serão seus pais precisam da compreensão de sua condição humana e espiritual.
70. Acreditamos no mesmo direito por parte de pais e mães heterossexuais, homossexuais, bissexuais e transexuais, pois a amplitude desse ato não se reserva à condição sexual ou de gênero e, sim, ao resgate cármico em condições tanto materiais quanto emocionais para a educação da criança e do adolescente.

 PRESERVATIVOS E MÉTODOS CONTRACEPTIVOS 

71. A Umbanda apóia o uso de preservativos e métodos contraceptivos, como meios de proteção contra DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e prevenção de gravidez indesejada. Cada qual deve saber e escolher o momento de gerar um novo ser, que necessitará de compreensão, educação e discernimento ao longo de sua vida. Nesse sentido, o uso de métodos contraceptivos é um modo de proteger a vida, não da vida.
72. O uso do contraceptivo é aceite pela religião da Umbanda, pois respeita o livre arbítrio, o controle de natalidade e o planejamento familiar.

 DOAÇÃO DE ÓRGÃOS 

73. A Doutrina umbandista vê com bons olhos a doação de órgãos.
74. A Umbanda defende mesmo que a separação entre o espírito e o corpo físico não se tenha completado, como nos casos de morte cerebral, a Espiritualidade dispõe de recursos para impedir impressões penosas e sofrimentos ao espírito doador.
75. A doação de órgãos não é contrária às Leis da Natureza, porque beneficia outras pessoas e o próprio espírito do doador em sua evolução espiritual e, além disso, é uma oportunidade para que se desenvolvam os conhecimentos científicos no plano material, colocando-os a serviço de vários necessitados.
76. O mesmo se dá em relação à doação de sangue, medula e qualquer tecido orgânico que venha proporcionar ajuda ao semelhante. A Umbanda, assim como qualquer religião, necessita incentivar a prática de doação para amparar milhões de irmãos necessitados pelo mundo.  

CREMAÇÃO 

77. A Umbanda não rejeita a cremação.
78. A cremação é legítima para todos aqueles que a desejam, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá verificar-se com o depósito de despojos humanos em ambiente frio. Esse período é necessário, pois existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o tónus vital, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista os fluidos orgânicos que o Espírito ainda solicita para as sensações da existência material.
79. O sepultamento ou a cremação nada mais representam, para o espírito, que a desagregação mais lenta ou mais rápida das estruturas entretecidas em agentes físicos, das quais se libertou.

CANDIDATOS À POLÍTICA NA UMBANDA 

80. A Umbanda chama a atenção para o pensamento sobre política púbica participativa. É relevante a construção de organização política pois só assim conquistarmos o que é de direito de qualquer cidadão que professa sua fé.
81. A participação do religioso deve ser incentivada através da consciência de institucionalizarmos nossos ideais.
82. Os representantes políticos necessitam comprometer-se com a comunidade religiosa a qual esta inserido. Deixando seu gabinete aberto para todos os projetos que visam o coletivo religioso.

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