Um Padre no garrote

Tipos de pena de morte - FOCO super news

O ano era 1761. A cidade era Lisboa. O local, a Praça de D. Pedro IV, mais conhecida como a Praça de Rossio. O País, era Portugal. Ah, o mais importante: o acusado no garrote era um Padre Jesuíta, da Companhia de Jesus e…e o resto falo no final!!

Garrote, como pode ser visto na imagem, era um instrumento de tortura criado pelos inquisidores espanhois por volta de 1.550, para obrigar o acusado a alegar inocência e se reconciliar com o catolicismo, ou manter sua heresia e ser morto por quebra e perfuração do pescoço. Isto mesmo, pela imagem, dá para perceber que por detras da cabeça surge um parafuso, que era cravado na nuca e entrava na cabeça…

E a cena era esta de um julgamento público:

El Diario - El “humano” garrote vil

Chamado também de AUTO DA FÉ, era um ritual de PENITÊNCIA contra o acusado de heresia. Neste ritual, volto a referir que o objetivo era fazer o acusado pedir perdão ou afirmar sua fé na religião que professava as escondidas da Religião do Estado.

Pois bem. Imaginem este quadro mental na frente de vocês. Após um processo arbitrário, com uma acusação absurda de fé em religião contrária a do Estado, sem uma defesa adequada, e preso por cerca de 02 anos em celas imundas, infectadas por inúmeras doenças, sabendo que por certo seria torturado e condenado a morte num garrote ou numa fogueira.

E lá estava o Padre desta narrativa. Após passar pela formação sacerdotal tradicional cursando filosofia e teologia, como Jesuíta da Companhia de Jesus, veio para o Nordeste do Brasil pregar o Cristianismo em 1723, abrindo as primeiras escolas. Sempre ligado e obedecendo a Congregação Jesuíta, conheceu aqui nossa cultura indígena e negra, a escravidão e possivelmente os cultos afros.

Como padre, ficou no Brasil até 1750, retornando para Lisboa a pedido da Rainha de Portugal.

Aqui vou dar um salto na história e ir direto ao ponto deste texto: uns dois anos antes de ir para o garrote, foi acusado de eresia por publicar cartas com escritos celestiais, sem autorização da Igreja-Estado.

Após dois anos de tortura psicológica e moral pela Inquisição Portuguesa, em uma cela imunda e cheia de ratos e fezes, NÃO NEGOU sua fé em Jesus e nas cartas celestiais que havia recebido em pensamento. E julgado e TORTURADO em praça pública por meio do AUTO DE FÉ, manteve sua crença em Jesus.

Foi morto pelo garrote, numa cena que muitos anos depois foi descrita por historiadores como “cenas de horror e sofrimento”.

O Padre não negou sua fé em Jesus.

Ah, esqueci de mencionar: este sacerdote é o PADRE GABRIEL MALAGRIDA, que em 1908 apareceu no Brasil como CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS…

AS “LINHAS MESTRAS” PRECONIZADAS PELO SENHOR CABOCLO DAS SETE ...

Em tempos dificeis como este que vivemos, que depois de séculos ainda está cheio de preconceito alimentado pela ignorância, façamos como Gabriel, não neguemos nossa religião, nossa religiosidade, nossa condição de Umbadistas, porque hoje o garrote em nós é apenas um dedo apontado em nossa direição ou uma cara feia. Nada mais.

Benção Padre Gabriel. Salve Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Saravá a todos.

José Augusto da Cunha Meira

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