Exu, guardião de Umbanda

Laroiê, mojubá. Salve o guardião de nossa Umbanda.

Falar de Exu na Umbanda, apesar de todos os esforços de umbandistas sérios ainda é um terreno delicado de se adentrar, devido a tantas barbaridades ditas, pregadas e feitas em nome desta entidade. Mas, procurando dar nossa cota de contribuição na tentativa de desmistificação de Exu, nos arriscamos em algumas palavras.

Exu, de acordo com nosso entendimento, deixa de ser na Umbanda uma entidade perigosa e demoníaca, entendida por muitos, para se tornar um valoroso trabalhador da seara Umbandista em prol do bem e da caridade. Assumem a identidade genérica de “Exu”, diversos espíritos experimentados na vivência humana, das dores, das incertezas e dos medos que nós, seres humanos encarnados experimentamos, nos ajudando a superar e ter a clareza necessária para enxergarmos nossas próprias imperfeições. Exu, além de ser guardião, é antes um revelador de nós mesmos.

Como guardião, são verdadeiros policiais do astral, vigiando as fronteiras do mundo espiritual, e lidando com toda sorte de marginais do astral. Exímio nas artes da magia, é perito no desmanche de magias negativas e na lida com espíritos endurecidos. Na Umbanda não acreditamos que espíritos profissionais do mal, sejam convertidos em conversas de 20 minutos com doutrinadores em mesas espíritas, e nossa conclusão é simples: Tente convencer um marginal encarnado, profissional do crime, em uma simples conversa de alguns minutos, a ser um cidadão honrado, trabalhador, ganhando um salário mínimo pro mês. A imagem em si é explicativa. Exu tem então o encargo de lidar com estes espíritos, profissionais do mal, os freando e levando para locais no astral, onde, ai sim, terão o devido tratamento para que deixem de perseverar no mal.

Exu trabalha então neste meio de campo, no limiar entre trevas e luz, nos submundos do astral inferior, na crosta, e em todos os lugares astrais em que for solicitado. Está sempre ao lado dos demais trabalhadores da Umbanda, sejam Caboclos, Pretos Velhos, Crianças, prestando sua guarda e trabalho, além de proteção para os terreiros e trabalhadores encarnados da Umbanda. Sim, são a nossa polícia de choque da Umbanda, o que faz de nossa religião uma profissional no desmanche de magias negativas e obsessões complicadas, difíceis de resolver. Teríamos muito mais para falar destes nobres trabalhadores, mas também devemos mencionar o Orixá que ampara e empresta seu nome a esta instituição astral, o Orixá Exu.

A Umbanda cultua e trabalha com entidades, que são entendidos pelas demais religiões afro como Eguns, ou espíritos humanos desencarnados. São nossos Caboclos, Pretos Velhos, Exus, e tantos outros espíritos que servem a Umbanda. No caso dos Exus, temos Tranca-Ruas, Marabô, Tiriri, Morcego, Caveira e tantos outros, e Pomba Giras, que seriam o feminino Exu, Maria Padilha, Menina, 7 Saias e tantos outros. Após esta breve explicação, falamos sobre o Orixá Exu na Umbanda, esclarecendo que Orixá não é Egum, não é espírito humano desencarnado. Orixá é sim uma divindade, uma manifestação do criador. Como escreveu Rubens Saraceni, vem dele, mas não é ele mesmo.

A Umbanda cultua e reverencia todos Orixás, e não seria diferente com o Orixá Exu. Mas, diferente dos cultos de nação, a Umbanda tem seu próprio entendimento de Orixás, e suas práticas próprias para cultuar os Orixás. Sabemos que este é outro ponto que gera controvérsias e polêmicas dentro das religiões afro. De um lado, Umbandistas acusam as religiões tradicionais de matriz africana de primitivistas, e estes afirmam que Umbanda não tem “fundamentos” para cultuar Orixás. De nossa parte, não entendemos que cultos de nação são primitivistas, mas achamos infundadas as acusações de que a Umbanda não tem fundamento, pois se os Orixás se manifestam na Umbanda, assim é por vontade divina, e dos próprios Orixás, sendo uma infantilidade dizer que Orixá só pode ser cultuado, ou se manifestar de tal maneira, de acordo com vontades humanas. Seria diminuir divindades, que manifestam seu poder a todos, e em todos os tempos.

Bem, deixamos aqui um pouquinho de nosso entendimento de Exu, prometendo ampliar em postagens próximas.

Axé.

1 Comment

  1. Excelente nego preto! Simples e fácil de entender o que é um Exu, um Missionário da Justiça, um Guardião, retirando toda e qualquer mistificação ou alegoria, uma visão moderna sobre este trabalhador!

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